No Pará, 30 anos de ECA são marcados por conquistas e desafios na garantia de direitos

Como parte dessa história, o Movimento República de Emaús já buscava direitos de crianças e adolescentes bem antes do Eca existir.

Estatuto da Criança e do Adolescente completa 30 anos O Estatuto da Criança e do Adolescente (Eca) completou nesta segunda (13) três décadas de conquistas e desafios, com objetivo de regular os direitos humanos.

Como parte dessa história, o Movimento República de Emaús, que bem antes do Eca existir, já buscava a garantia desses direitos. Inácia Winholth, coordenadora geral do movimento, já é voluntária desde a década de 70 e acompanhou os primeiros passou da luta ao lado do padre Bruno Sechi, que faleceu no final de maio.

O padre foi fundador do movimento. Segundo ela, ao longo de 50 anos foram milhares de crianças, jovens e adolescente que já foram beneficiados com diversos programas sociais e o legado deixado pelo padre continua vivo nas ações e nas palavras de jovens atendidos.

Um deles é João Gabriel Farias, liderança da juventude Emaús, onde chegou aos 14 anos. " O movimento ele ajuda não só a mim, como a todas as crianças que chegaram aqui, que virão depois, a ter esse sentimento de pertencimento à sociedade, à comunidade, de cidadão mesmo, de saber seus direitos, deveres, obrigações e a criar esse sentimento de protagonismo, que a gente não tem que ter a voz silenciada, tudo o que a gente aprende aqui a gente leva pra vida", disse. Em trinta anos, o Brasil teve importantes avanços que merecem ser comemorados, como a redução histórica da mortalidade infantil, no acesso à educação, mas que ainda precisam ir além para reduzir as desigualdades na região amazônica, especialmente no Pará. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), de 2018, 12,8% dos alunos do ensino básico ao 9º anos abandonaram as salas de aula das escolas estaduais, federais, municipais e privadas.

Já entre os alunos de ensino médio, a taxa foi de 19,9%.

Número bem acima da média nacional, onde foram 6% nos anos iniciais ao 9º ano; e 5,1% no ensino médio. De acordo com Anyoli Sanabria, coordenadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na Amazônia, a desigualdade social ainda é um dos maiores desafios a serem enfrentados.

Um problema que gera outros impactos negativos não só para as crianças e adolescentes, mas para a sociedade como um todo.

E como dizia padre Bruno, a esperança não deve ser perdida e para os próximos anos, o desejo é que as crianças e adolescentes continuem sendo prioridade na atenção, respeito e nos investimentos.

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